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Magnésio realmente funciona? Qual tipo escolher e quando vale a pena suplementar

7 de set.
13 min de leitura

Bisglicinato para dormir. Treonato para memória. Dimalato para energia. Citrato para o intestino.


Nos últimos anos, a suplementação de magnésio ganhou uma quantidade enorme de indicações e, junto com elas, surgiram diferentes versões do mineral, cada uma apresentada como se tivesse uma função completamente diferente.


Isso cria uma pergunta aparentemente simples:

qual é o melhor tipo de magnésio?


Mas existe uma pergunta anterior e mais importante:

você realmente tem motivo para suplementar magnésio?


O magnésio é um mineral essencial e participa de centenas de reações no organismo, incluindo processos relacionados à produção de energia, contração muscular, função nervosa, síntese de proteínas, metabolismo da glicose e saúde óssea.


Isso, porém, não significa que fornecer magnésio extra para alguém que já possui ingestão adequada faça todas essas funções melhorarem.


Essa diferença é fundamental.


Corrigir uma deficiência é muito diferente de suplementar além das necessidades esperando um benefício adicional.


Quando a suplementação de magnésio realmente faz sentido?


A situação mais clara é quando existe deficiência, ingestão insuficiente ou maior risco de inadequação.


Pessoas com algumas doenças gastrointestinais, diabetes tipo 2, consumo crônico elevado de álcool e idosos apresentam maior risco de consumir ou reter magnésio em quantidade insuficiente. Alguns medicamentos também podem interferir na absorção ou aumentar sua perda. O National Institutes of Health dos EUA (NIH) inclui entre esses exemplos determinados diuréticos e o uso prolongado de medicamentos que reduzem a produção de ácido gástrico.


Nesses casos, avaliar a alimentação, o contexto clínico e, quando pertinente, exames laboratoriais pode mostrar que existe uma necessidade real de correção.


O raciocínio muda completamente quando uma pessoa saudável, com alimentação adequada, começa a tomar magnésio exclusivamente porque ouviu que ele:


melhora o sono, diminui a ansiedade, evita cãibras, aumenta a memória, melhora a energia e relaxa os músculos.

Todos esses argumentos possuem algum mecanismo fisiológico que parece plausível.


O problema é que:


participar de uma função do organismo não significa que suplementar acima das necessidades melhore essa função.


Se fosse assim, praticamente todo micronutriente poderia ser vendido como suplemento para dezenas de objetivos diferentes.


Dá para saber se estou com deficiência de magnésio por um exame?


Nem sempre de maneira tão simples.


A maior parte do magnésio corporal está armazenada nos ossos e dentro das células. Apenas uma pequena fração circula no sangue.


Por isso, uma concentração sérica normal não necessariamente reflete de maneira perfeita os estoques corporais. Também não existe hoje um único exame simples capaz de determinar com precisão absoluta o estado total de magnésio do organismo. [1]


Isso não significa que exames de sangue sejam inúteis nem que qualquer pessoa com um resultado normal possa assumir que está deficiente.


A avaliação deve considerar o conjunto: alimentação, sintomas, doenças, medicamentos, fatores de risco e exames quando indicados.


E sintomas como cansaço, dificuldade para dormir ou cãibras são inespecíficos demais para diagnosticar deficiência de magnésio isoladamente.


Quanto magnésio uma pessoa precisa por dia?


As necessidades de magnésio variam conforme idade, sexo e fase da vida e geralmente ficam na faixa de algumas centenas de miligramas por dia em adultos. Na prática, mais importante do que perseguir um número isolado é avaliar se a alimentação oferece regularmente boas fontes do mineral.

Para adultos, as recomendações americanas ficam aproximadamente entre 310 e 320 mg por dia para mulheres e 400 a 420 mg para homens, considerando a ingestão total proveniente da alimentação e, quando houver, suplementos. [11]


Para fins de rotulagem nutricional no Brasil, a Anvisa utiliza um Valor Diário de Referência de 420mg para magnésio. Esse valor serve como referência de rótulo e não deve ser interpretado como uma necessidade individual exata para todas as pessoas. [13]


Boas fontes de magnésio incluem leguminosas, castanhas, sementes, cereais integrais, vegetais verde-escuros e cacau. Uma alimentação variada, com presença regular desses grupos, pode fornecer quantidades relevantes do mineral.


Por isso, antes de pensar em qual cápsula comprar, faz sentido observar se a alimentação já atende bem essa necessidade.


Então por que existem tantos tipos de magnésio?


Porque, em suplementos, o magnésio precisa estar associado a outra molécula.

Temos, por exemplo:


Forma

O que realmente muda

O que costuma ser exagerado

Citrato de magnésio

Forma relativamente bem absorvida e que pode ter efeito laxativo, principalmente em doses maiores

Apresentá-lo como uma forma específica para energia ou músculos

Óxido de magnésio

Possui bastante magnésio elementar por peso, mas costuma apresentar menor absorção relativa e maior efeito gastrointestinal

Dizer que é completamente inútil

Bisglicinato ou glicinato

Forma muito popular e frequentemente escolhida pela tolerabilidade

Afirmar que é especificamente o magnésio para ansiedade e sono

Dimalato de magnésio

Magnésio associado ao ácido málico

Prometer aumento de energia, redução de fadiga ou tratamento de fibromialgia como efeitos estabelecidos

L-treonato de magnésio

Forma com pesquisas específicas sobre sistema nervoso e cognição

Apresentá-lo como comprovadamente superior para memória ou inteligência

Cloreto de magnésio

Fonte válida de magnésio e relativamente solúvel

Atribuir propriedades especiais apenas por ser cloreto

Misturas com vários magnésios

Reúnem diferentes sais em uma mesma fórmula

Assumir que mais tipos na cápsula significam mais benefícios


A forma química realmente pode modificar solubilidade, quantidade de magnésio elementar, absorção e tolerância gastrointestinal.


Isso é diferente de afirmar que cada sal ganhou uma especialidade clínica própria.


Um ensaio comparativo recente, por exemplo, encontrou diferenças na resposta plasmática entre diferentes fontes de magnésio, mas esse tipo de estudo não permite concluir que uma forma seja automaticamente melhor para sono, outra para memória e outra para fadiga. [2]


Bisglicinato de magnésio é realmente melhor para dormir e diminuir ansiedade?


Essa se tornou uma das associações mais populares.


O argumento costuma ser que o bisglicinato é magnésio ligado à glicina, aminoácido envolvido no sistema nervoso, e por isso teria propriedades mais “calmantes”.


É uma explicação biologicamente interessante.


Mas ela não deve ser confundida com evidência clínica de superioridade.


Até o momento, faltam ensaios clínicos robustos mostrando que magnésio bisglicinato seja especificamente superior a outras formas para tratar insônia ou ansiedade.


Existem estudos avaliando suplementação de magnésio de forma mais ampla.


Uma revisão sistemática sobre ansiedade encontrou alguns resultados favoráveis, principalmente em populações vulneráveis, mas considerou a qualidade geral da evidência baixa. [3]


Para sono, uma meta-análise em idosos com insônia encontrou redução de aproximadamente 17 minutos no tempo para adormecer, mas novamente baseada em poucos estudos, com evidência de baixa ou muito baixa qualidade. [4]


Portanto, existe possibilidade de benefício em determinados contextos.

Isso está distante de:


“bisglicinato é o magnésio do sono”.

E o magnésio L-treonato para cérebro e memória?


Aqui a discussão é mais interessante porque existem estudos específicos.


O L-treonato ganhou popularidade pela possibilidade de aumentar a disponibilidade de magnésio no sistema nervoso e por resultados inicialmente encontrados em estudos pré-clínicos.


Nos últimos anos também surgiram ensaios em humanos.


Um estudo randomizado com 80 adultos que relatavam problemas de sono encontrou melhora em alguns indicadores subjetivos e objetivos depois de 21 dias utilizando L-treonato. [5]


Outro ensaio com 100 adultos encontrou resultados favoráveis em alguns testes cognitivos após seis semanas. Entretanto, não houve superioridade em todos os testes cognitivos nem melhora consistente das diferentes medidas objetivas de sono. [6]


Isso torna o L-treonato uma forma cientificamente interessante e promissora.


Mas ainda não temos base para transformar:


“há ensaios positivos”

em:


“é comprovadamente o melhor magnésio para o cérebro”.

O número de estudos clínicos ainda é pequeno e existe necessidade de replicação independente e acompanhamento por períodos maiores.


Situação regulatória no Brasil (verificada em setembro de 2026): apesar de existirem estudos clínicos com magnésio L-treonato, atualmente essa forma não é autorizada pela Anvisa como ingrediente de suplementos alimentares no país. Em junho de 2026, a agência determinou inclusive o recolhimento de um suplemento que utilizava L-treonato por esse motivo. Isso não significa que não existam pesquisas sobre a molécula, mas que, na data desta publicação, ela não deve ser tratada como uma opção regular de suplemento alimentar disponível no mercado brasileiro. [12]


Dimalato de magnésio dá mais energia?


Essa é outra associação em que o mecanismo virou argumento de marketing.


O malato deriva do ácido málico, composto envolvido no metabolismo energético. A partir disso, o dimalato passou a ser vendido frequentemente para fadiga, disposição e até dor muscular.


O fato de o ácido málico participar de vias relacionadas à produção de energia não significa que adicionar mais ácido málico a uma pessoa sem deficiência aumentará automaticamente sua energia.


Quando magnésio associado ao ácido málico foi estudado para fibromialgia, a literatura não demonstrou benefício clínico convincente para dor ou sintomas depressivos. [7]


Portanto:

dimalato é uma forma de fornecer magnésio.


Isso não é o mesmo que considerá-lo um suplemento comprovado para produzir energia.


Citrato e óxido: às vezes o efeito intestinal é justamente o objetivo


Nem todo efeito gastrointestinal é necessariamente ruim.


Sais de magnésio podem atrair água para o intestino e aumentar a motilidade, razão pela qual determinadas formas também são utilizadas como laxantes.


O citrato costuma apresentar boa absorção e também pode amolecer as fezes.


O óxido possui menor absorção relativa em comparação com algumas formas mais solúveis, mas contém uma proporção elevada de magnésio elementar e também pode ter aplicação quando o efeito intestinal é desejado.


Por isso, afirmar simplesmente que:


“óxido de magnésio é ruim”

também é simplificar.


A melhor forma depende do motivo pelo qual ela está sendo utilizada.


Magnésio realmente melhora cãibras?


Não é tão simples.


Cãibra virou praticamente sinônimo de falta de magnésio no senso comum.


Mas uma revisão Cochrane avaliando ensaios clínicos encontrou que a suplementação provavelmente não produz redução clinicamente relevante das cãibras idiopáticas em adultos mais velhos. [8]


Uma análise publicada em 2026 também encontrou resultados inconsistentes dependendo da população, com possíveis benefícios em cãibras relacionadas à gestação, mas não em cãibras persistentes ou noturnas em adultos de forma geral. [9]


E existe outro detalhe importante para quem treina:


na revisão Cochrane não havia ensaios randomizados adequados demonstrando que magnésio prevenisse especificamente cãibras associadas ao exercício. [8]


Cãibras podem envolver fadiga neuromuscular, características individuais, treinamento, medicamentos, algumas doenças e diversos outros fatores.


Portanto, ter cãibra não permite concluir:


“estou precisando de magnésio”.

Magnésio tópico, óleo de magnésio e banho com sais funcionam?


Produtos tópicos também se popularizaram com a ideia de que o magnésio seria absorvido pela pele e produziria os mesmos benefícios da suplementação oral, possivelmente com melhor absorção.


A evidência é fraca.


Uma revisão específica sobre magnésio transdérmico concluiu que as alegações de absorção significativa e superioridade em relação à via oral não eram sustentadas pela literatura disponível. [10]


Isso não significa que tomar um banho com sais não possa ser agradável ou relaxante.


Significa apenas que atribuir esse relaxamento à reposição sistêmica de magnésio através da pele é outra afirmação.


O que significa “magnésio elementar”?


Esse detalhe evita muita confusão na hora de comparar suplementos.


Imagine um produto contendo:


1.000 mg de citrato de magnésio.


Isso não significa necessariamente que ele forneça 1.000 mg do mineral magnésio.


Parte daquele peso corresponde ao composto ao qual o magnésio está ligado.


Por isso, para comparar doses, é importante observar quanto de magnésio efetivamente é fornecido por porção, e não apenas quantos miligramas do composto aparecem na frente da embalagem.


Esse valor é frequentemente chamado de magnésio elementar.


Duas cápsulas contendo quantidades muito diferentes de “citrato”, “bisglicinato” ou “dimalato” podem fornecer quantidades semelhantes do mineral.


Esse é um dos motivos pelos quais comparar apenas o número grande escrito na embalagem pode ser enganoso.


“Magnésio quelato” é um tipo específico?


Não necessariamente.


Quelato descreve uma estrutura em que o mineral está ligado a uma molécula orgânica, frequentemente um aminoácido.


Bisglicinato, por exemplo, pode ser apresentado como uma forma quelada.


Mas simplesmente escrever:


“magnésio quelato”

não informa automaticamente qual composto está sendo utilizado, quanto de magnésio elementar existe nem quais benefícios clínicos ele oferece.


“Quelado” não deve ser interpretado como sinônimo de:

mais potente, premium ou melhor para todos.


Misturar vários tipos de magnésio deixa o suplemento melhor?


Não há motivo para assumir isso.


Produtos com três, cinco ou até sete formas diferentes podem parecer mais completos.


Mas adicionar mais sais não necessariamente cria novos benefícios fisiológicos.


No fim, o organismo continua recebendo magnésio, e o que realmente importa inclui:

dose efetiva, necessidade individual, absorção, tolerância e objetivo da suplementação.


A mistura pode ser adequada.


Só não deveria ser considerada superior apenas porque a lista de ingredientes é maior.


É possível obter magnésio suficiente pela alimentação?


Sim.


Boas fontes incluem:

  • feijões, lentilha e outras leguminosas;

  • castanhas e amendoim;

  • sementes, como abóbora, gergelim e chia;

  • aveia e outros cereais integrais;

  • vegetais verde-escuros;

  • cacau;

  • alguns laticínios e alimentos fortificados.


Uma alimentação pouco variada, muito restritiva ou com baixa presença desses grupos pode favorecer ingestão insuficiente.


Por outro lado, alguém que consome regularmente leguminosas, cereais integrais, sementes, castanhas e vegetais pode já obter uma quantidade bastante relevante sem suplementação.


Tomar magnésio demais pode fazer mal?


Pode.


O efeito adverso mais comum da suplementação oral em excesso é gastrointestinal, principalmente diarreia, náusea e cólicas.


No Brasil, a Anvisa estabelece limites máximos para a quantidade de magnésio em suplementos alimentares. Para adultos, esse limite é de 350 mg na recomendação diária do produto. Isso não inclui o magnésio naturalmente presente nos alimentos e não significa que doses maiores nunca possam ser utilizadas em contextos clínicos específicos, sob avaliação profissional.


Pessoas com comprometimento importante da função renal exigem cuidado especial porque a capacidade de eliminar o excesso de magnésio pode estar reduzida.


Além disso, suplementos de magnésio podem interferir na absorção de alguns medicamentos, incluindo determinados antibióticos e medicamentos utilizados no tratamento da osteoporose.


Portanto, “é só um mineral” não significa ausência de contraindicações ou interações.


Então qual é o melhor tipo de magnésio?


Não existe uma única resposta.


Se existe necessidade real de suplementação, a escolha pode considerar:

a quantidade de magnésio fornecida, absorção, tolerância gastrointestinal, custo, praticidade e o objetivo específico.


O citrato pode ser interessante para uma pessoa e provocar desconforto intestinal em outra.


O bisglicinato pode ser uma alternativa prática, mas não precisa ser comprado com a expectativa de que necessariamente tratará ansiedade ou insônia.


O L-treonato possui pesquisas interessantes sobre cognição, mas ainda não merece ser apresentado como solução comprovada para memória.


E uma pessoa com alimentação adequada e sem indícios de deficiência talvez nem precise escolher entre eles.


Talvez essa seja a resposta mais importante deste artigo:

antes de perguntar qual magnésio tomar, vale perguntar se existe motivo para tomar magnésio.


Conclusão


Magnésio é um mineral essencial.

A suplementação também é útil e, em determinadas situações, necessária.

O problema começa quando essas duas informações são transformadas na ideia de que qualquer pessoa terá benefícios adicionais simplesmente aumentando a ingestão.

Quem apresenta deficiência, ingestão insuficiente ou maior risco de inadequação tem muito mais motivo para considerar suplementação.

Para pessoas com ingestão adequada, os benefícios extras para sono, ansiedade, memória, energia e cãibras são muito mais incertos e dependem do contexto.

As diferentes formas de magnésio realmente podem mudar absorção, tolerância e efeitos intestinais.

O que ainda não está estabelecido é a divisão quase farmacológica frequentemente apresentada nas redes:

bisglicinato para dormir, dimalato para energia, treonato para memória e assim por diante.

Algumas dessas hipóteses possuem pesquisas interessantes por trás.

Outras são principalmente extrapolações.

E, como ocorre com muitos suplementos, uma boa pergunta costuma ser mais útil do que uma embalagem cheia de promessas:

qual problema estamos realmente tentando resolver?


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Principais pontos do artigo


  • Suplementar magnésio faz mais sentido quando existe deficiência, ingestão inadequada ou maior risco de inadequação.

  • Participar de uma função fisiológica não significa que consumir mais magnésio melhorará aquela função quando a necessidade já está atendida.

  • Diferentes formas de magnésio podem mudar absorção, quantidade de magnésio elementar e tolerância gastrointestinal.

  • Não há boa evidência de que cada tipo possua uma função clínica exclusiva.

  • Bisglicinato não pode ser considerado comprovadamente o “magnésio do sono e da ansiedade”.

  • L-treonato possui resultados clínicos interessantes para cognição e sono, mas a evidência ainda é limitada.

  • Dimalato não possui evidência consistente como suplemento para energia ou fadiga.

  • Magnésio não resolve automaticamente cãibras.

  • Magnésio tópico não possui evidência convincente como forma de reposição sistêmica.

  • Ao comparar suplementos, importa observar a quantidade de magnésio efetivamente fornecida por porção.

  • Mais formas de magnésio na mesma cápsula não significam necessariamente mais benefícios.

  • Em quem não precisa suplementar, uma alimentação adequada pode ser suficiente.


Perguntas frequentes


Qual o melhor tipo de magnésio?

Depende do motivo da suplementação, da dose, da tolerância e das características individuais. Não existe uma forma universalmente superior para todos os objetivos.


Magnésio bisglicinato ajuda a dormir?

Pode haver benefícios da suplementação de magnésio sobre sono em determinadas pessoas, mas ainda não existe evidência robusta mostrando que o bisglicinato seja especificamente superior a outras formas para insônia.


Magnésio ajuda na ansiedade?

Existem alguns estudos positivos, principalmente em determinados grupos, mas a qualidade geral das evidências ainda é limitada. Não deve ser tratado como substituto de avaliação ou tratamento adequado para transtornos de ansiedade.


Magnésio treonato melhora memória?

Existem ensaios clínicos recentes com resultados interessantes para alguns aspectos cognitivos. O número de estudos ainda é pequeno e não permite afirmar que seja comprovadamente o melhor suplemento para memória ou cognição.


Magnésio dimalato dá energia?

Não existe evidência clínica consistente demonstrando que o dimalato produza melhora relevante de energia ou fadiga em pessoas sem deficiência.


Qual magnésio é melhor para o intestino?

Formas como o citrato podem ter efeito osmótico e favorecer o trânsito intestinal. Em algumas situações isso pode ser útil; em outras, pode provocar diarreia ou desconforto.


Magnésio ajuda em cãibras?

Não de forma geral. Em adultos com cãibras idiopáticas, a suplementação não demonstrou benefício clinicamente relevante. Cãibras também não são um sinal específico de deficiência de magnésio.


Preciso fazer exame antes de tomar magnésio?

Nem toda suplementação exige um exame, e o magnésio sérico não representa perfeitamente os estoques corporais. A decisão pode considerar alimentação, sintomas, condições clínicas, medicamentos e exames quando indicados.


Posso tomar magnésio todos os dias?

Pode ser apropriado em algumas situações, mas dose e necessidade devem ser consideradas. Doses excessivas aumentam principalmente o risco de efeitos gastrointestinais e exigem maior cuidado em pessoas com comprometimento renal.


O que é magnésio elementar?

É a quantidade do mineral magnésio efetivamente fornecida pelo produto. Ela não é igual ao peso total do sal, como citrato ou bisglicinato.


Referências


1. Reddy P, Edwards LR. Magnesium Supplementation in Vitamin D Deficiency. American Journal of Therapeutics. 2019;26(1):e124-e132.PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28471760/

2. Pajuelo D, Meissner JM, Negra T, et al. Comparative Clinical Study on Magnesium Absorption and Side Effects After Oral Intake of Microencapsulated Magnesium Versus Other Magnesium Sources. Nutrients. 2024;16(24):4367.PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39770988/

3. Boyle NB, Lawton C, Dye L. The Effects of Magnesium Supplementation on Subjective Anxiety and Stress: A Systematic Review. Nutrients. 2017;9(5):429.PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28445426/

4. Mah J, Pitre T. Oral magnesium supplementation for insomnia in older adults: a systematic review and meta-analysis. BMC Complementary Medicine and Therapies. 2021;21:125.PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33865376/

5. Hausenblas HA, Lynch T, Hooper S, et al. Magnesium-L-threonate improves sleep quality and daytime functioning in adults with self-reported sleep problems: A randomized controlled trial. Sleep Medicine: X. 2024;8:100121.PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39252819/

6. Lopresti AL, Smith SJ. The effects of magnesium L-threonate on cognitive performance and sleep quality in adults: a randomised, double-blind, placebo-controlled trial. Frontiers in Nutrition. 2025;12:1729164.PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41601871/

7. Ferreira I, Ortigoza Á, Moore P. Magnesium and malic acid supplement for fibromyalgia. Medwave. 2019;19(4):e7633.PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31150373/

8. Garrison SR, Korownyk CS, Kolber MR, et al. Magnesium for skeletal muscle cramps. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2020;9:CD009402.PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32956536/

9. Patil S, Falkowski A, Venkataiah VS, et al. The Role of Electrolytes in Muscle Pain Syndromes: A Systematic Review and Meta-Analysis. International Dental Journal. 2026;76(3):109488.PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41812583/

10. Gröber U, Werner T, Vormann J, Kisters K. Myth or Reality: Transdermal Magnesium? Nutrients. 2017;9(8):813.PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28788060/

11. NIH Office of Dietary Supplements. Magnesium Fact Sheet. Informações de referência sobre necessidades diárias, fontes alimentares, grupos de risco, formas de suplementação, interações e limite superior de ingestão suplementar.

12. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Anvisa determina recolhimento de suplemento alimentar de magnésio treonato. 2026.Fonte oficial: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-determina-recolhimento-de-suplemento-alimentar-de-magnesio-treonato

13. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ingredientes autorizados para uso em suplementos alimentares. Informações sobre constituintes autorizados, limites mínimos e máximos, grupos populacionais, advertências e alegações aprovadas.Fonte oficial: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/alimentos/ingredientes


Sobre o autor


Vinícius Elias | Nutricionista | CRN 22101350


Nutricionista formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com pós-graduação em áreas relacionadas à nutrição esportiva, metabolismo, emagrecimento, ganho de massa muscular e fisiologia do exercício, incluindo especialização pela Universidade de São Paulo (USP). Possui formação em antropometria segundo o protocolo internacional ISAK, com treinamento voltado à padronização de medidas corporais e avaliação da composição corporal.


Também é formado em Gastronomia e possui ampla experiência na área de alimentos, diferencial que contribui para a construção de estratégias nutricionais mais práticas e aplicáveis à rotina.


Atua com emagrecimento, hipertrofia e ganho de massa muscular, definição muscular, composição corporal, saúde e performance esportiva, com atendimento baseado em evidências científicas e estratégias individualizadas.


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